09/10/2017

Tendência: correntinha de óculos da vovó




Confesso que estou: apaixonada por essa tendência maravilhosa que surgiu recentemente. A correntinha pra segurar os óculos já foi muito usada tempos atrás, e acabou virando essa mania de vó - que entre uma revistinha de palavras cruzadas e uma olhadinha na novela, tirava os óculos e deixava eles penduradinhos pela corrente. 

Talvez seja pela memória afetiva associada (como não gostar de algo que lembra vó, não é mesmo?) ou pelo fato de ser muito prático (principalmente pra quem, como eu, só usa óculos pra longe ou pra perto e tem que ficar tirando e colocando toda hora), mas eu estou realmente adorando o retorno das correntes de óculos.

Agora, é claro, elas voltaram repaginadas, algumas bem exageradas, se afastando um tanto da estética-vovó. Pra inspirar quem também está adorando essa nostalgia, separei alguns modelos que tenho encontrado por aí (lembrando que eu não conheço todas essas lojas, só encontrei pela internet mesmo).



1 - Rita Viana Criações, R$38
2 - Daniele Sobreira Acessórios, R$37,90
3 - Ideias Ponto Com, R$28
4 - Rita Viana Criações, R$40


5 - É tipo Audrey, R$28
6 - Rita Viana Criações, R$45
7 - Rita Viana Criações, R$50
8 - É tipo Audrey, R$24,90


Inclusive, acabei comprando uma na semana passada, lá na É tipo Audrey, e já estou querendo sair com ela pra tudo que é lugar. Por aqui, eu já vi que a correntinha divide opiniões, mas, como eu adoro uma tendência polêmica (alma de aquariana), gostei mais ainda.







05/10/2017

Para os que atravessam um buraco negro por dia (e para os que nos esperam do outro lado)



(Infelizmente, não sei de quem é essa colagem maravilhosa. Se alguém souber, me avisa pra eu dar os créditos.)


Passei o setembro amarelo em branco. Planejando e planejando textos, mas sem conseguir me mexer. Às vezes, acontece. Não consigo me mexer. Especialmente quando o assunto é grande, é pesado, quando o assunto mora dentro da gente e é difícil encostar nele sem sentir algum incômodo. Como dizer? Como dar aos outros a dimensão do buraco negro atravessado todos os dias para conseguir chegar ao mundo e estar no mundo como pessoas relativamente funcionais? Como sentir que estamos falando sem que essa fala acorde em mais alguém aquilo que a gente tenta fazer dormir dentro da gente - e nem sempre consegue?

Lembro que, aos 14 anos, uma professora minha me deu o apelido de "hiperbólica". Eu era uma hipérbole ambulante. Tudo em mim era demais. Um exagero, uma desmedida. Nessa época, eu já estava frequentando a minha segunda psicanalista. Depois, vieram outras. E outros terapeutas de outras linhas. E alguns diagnósticos. Segundo eles, eu era borderline ou histriônica ou depressiva ou sociofóbica ou tinha transtorno de humor. Todos me enquadravam em algum quadro e eu continuava me sentindo uma equação mal resolvida, que alguém preencheu com números aleatórios, mas basta um segundo olhar pra ver que não fecham. Todos me enquadravam em algum quadro e o meu desconforto com a vida continuava, firme e forte, intocável.

Ao longo dos anos, tomei um ou outro remédio, encontrei melhoras e pioras, fui acumulando uma lista de recursos pra administrar as crises. Embora nem sempre elas sejam domesticáveis. Algumas, quando chegam, derrubam quase todas as minhas convicções, arrastam quase todos os afetos, desmoronam a minha pretensão de estar no controle do meu próprio estado emocional. Nessas horas, não tem muito o que fazer, exceto esperar - e torcer pra que, quando ela passe, eu ainda consiga ficar em pé.

Agora, no setembro amarelo, ouvi muitas vezes a palavra "empatia". Está na moda parecer empático. Do fundo da minha imobilidade, ouvi cada pronúncia da palavra "empatia" como uma fisgada, sendo remetida a todos esses anos de vivência com uma saúde mental, no mínimo, fragilizada. Ouvi cada pronúncia da palavra "empatia" pensando em todos os amigos que perdi, ao longo do tempo, porque fui considerada uma pessoa difícil ou complicada, porque era "sensível demais", porque me doía por pouco, porque não era otimista o bastante, good vibes o bastante, cheia de energia positiva o bastante. Ouvi essa "empatia" repetida à exaustão lembrando das vezes em que parei de ser chamada pra situações sociais por ser considerada muito furona, sem que ninguém tenha me perguntado por que, afinal, eu furava tanto, por que, afinal, era tão difícil eu ir, por que, afinal, eu raramente aparecia. Se tem uma coisa que eu percebi nesses mais de 10 anos lidando com as crises, é que as pessoas esquecem rápido quem não aparece. Enquanto a gente se entrega progressivamente ao ostracismo e se sente prestes a desaparecer.

Falei sobre isso uma vez no Facebook e repito agora: recebi muito mais doses da fatídica "empatia" quando meu pai morreu do que nas minhas crises sérias de depressão. Também vi outros recebendo doses fortes quando perdiam um emprego ou terminavam um namoro. As pessoas reconhecem a tristeza do mundo cotidiano, a tristeza dos fatos, é na tristeza inominável que elas parecem não saber como encostar. É o incômodo inominável de não conseguir levantar da cama ou estar com os outros que elas muitas vezes não entendem ou não são capazes de acolher. Afinal, como explicar que a minha vida esteja inteiramente nos eixos e ainda assim eu acorde com um piano sobre o peito e sinta uma vontade incalculável de ir embora desse mundo? Como explicar que, numa súbita crise de ansiedade, tudo me pareça absurdamente ameaçador e eu não consiga fazer movimentos básicos como dar um telefonema ou pegar um ônibus (ainda que eu tenha plena consciência das minhas obrigações diárias)?

A "empatia" repetida levianamente pela internet talvez seja, na verdade, mais uma forma de aplacar a consciência do que, de fato, uma tentativa de enxergar e acolher a dor do outro. Nesses tempos de curtidas e compartilhamentos, pelo contrário, nunca estivemos mais autocentrados e menos dispostos a conceber uma dor que não cabe nos nossos moldes do que uma dor deveria ser. Levantamos a bandeira da empatia quando buscamos a compreensão do outro, mas esquecemos facilmente dela quando dizemos a um amigo com depressão que ele não está tentando o bastante ou quando cobramos do amigo com ansiedade que ele esteja presente, mas fazemos pouco ou nenhum esforço pra entender (e tentar contornar) a limitação dele. Nos últimos anos, consigo lembrar de muitos amigos que fizeram piadas ou críticas ao meu hábito de pegar Uber pra qualquer lugar, mas cabe em uma mão o número de amigos que efetivamente tentaram entender por que os ônibus não me deixam confortável (ou que levaram isso em conta na hora de marcar uma saída comigo, por exemplo).

Nesse setembro amarelo que acabou na semana passada, li um tanto de desmistificações importantes, mas li mais apoios vazios e genéricos que muito provavelmente não se sustentam na prática. Enquanto pensava em escrever algo sobre o assunto (e eu pensei muitas vezes), só o que me vinha à cabeça é: "eu não tenho nada a dizer". E também não tenho como dar a esse texto o sentimento de esperança que eu gostaria de dar. Como falar sobre ter ultrapassado a vontade de morrer se eu continuo não entendendo muito bem o porquê de estar viva? Como dizer "resistam" se eu ainda preciso driblar, constantemente, a minha própria vontade de desistir?

Ainda assim, na minha lista de recursos para administrar uma crise, estão alguns itens que ajudam: 1) já dizia Julie Andrews, lembrar das minhas favorite things é um começo (filhotes de golden retriever, churros de doce de leite e Netflix devem contar como bons motivos pra viver). 2) conversar com quem também se dói pode não resolver, mas ajuda. 3) a falta de um sentido estabelecido pra vida pode render também, ao invés de uma desesperança, uma boa liberdade. Afinal, se nada tem sentido, isso nos dá a liberdade de inventar os nossos próprios sentidos (deliciosamente múltiplos e mutáveis). Essa minha lista, no entanto, eu só pude formular ao longo de 10 anos de crises e sobrevidas. Foi preciso encarar o fim do mundo muitas vezes e retornar, sempre sentindo que uma parte minha tinha morrido no processo, mas também sentindo que o retorno me deixava um tantinho mais forte. A gente volta meio fênix, e, depois de um tempo, começa a acreditar mais na própria capacidade de resistir aos fins do mundo.

O mundo vai acabar de novo pra mim, muitas vezes ainda, provavelmente. Mas talvez falar sobre isso já seja algum avanço. Entre vidas instagramadas e a chuva de discursos good vibes, é bom saber que tem gente que está no mesmo barco. Esse barco furado, chacoalhante, frequentemente enfrentando tempestades e que às vezes parece que vai naufragar, mas que - apesar dos pesares - segue resistindo, apostando num amanhã menos conturbado.






21/09/2017

Look do dia - Inspiração: Guid Meinelecki






Não sei se vocês conhecem a Guid do blog Não repete, mas, se não conhecem, sugiro que conheçam. Além de falar sobre moda e montar uns looks bem originais, ela tem o cabelo mais maravilhoso dessa internet - e, de quebra, é uma fofa. Faz algum tempo que eu acompanho ela nas redes e adoro os looks que ela monta com inspiração em alguma foto. Sabe aqueles looks de Pinterest que a gente acha maravilhosos? Então, ela monta looks inspirados neles.

Em um desses posts, lembro de ver a Guid falando que adoraria se alguém montasse um look inspirado em um look dela. Pensei que seria um desafio interessante, já que ela é magra e alta e eu sou gorda e relativamente baixa (1,65cm mais especificamente). Como eu adoro o estilo dela, também não foi difícil achar um look que eu adorasse. A parte difícil foi achar algo que eu pudesse reproduzir com peças que eu já tinha aqui em casa (sendo bem sincera, não ando muito feliz com o meu guarda-roupa).

Enfim, na hora de escolher, eu lembrei que tinha visto esse look dela tempos atrás e tinha achado sensacional o uso criativo do cachecol junto com o cinto. Então, resolvi fazer a minha versão. Podia ter feito com a bota preta, mas decidi usar no meu um tênis branco. O lenço que eu usei também não era tão grande, então o efeito não ficou exatamente igual, mas eu gostei.







Ia colocar as informações do look, mas eu não faço ideia de onde comprei nenhuma das peças, hahaha. São todas antigas e encontradas no fundo do armário mesmo. Tirando a bolsa que é da maravilhosa Cys Souza Artes.

Acho que o mais legal desse desafio - além de fazer a gente a renovar o nosso olhar em relação às peças que a gente já tem e se acostumou a usar de um jeito só - foi também perceber que um look pode dar perfeitamente certo em vários corpos diferentes. A moda, na verdade, pode ser muito mais divertida se a gente se despir desses podes e não podes, se a gente assumir diante dela uma postura de experimentação, de quem quer se divertir e tentar coisas novas e descobrir novas possibilidades de se expressar através do estilo. E é isso mesmo o que eu gosto na Guid: ela efetivamente parece se divertir criando looks e se expressando através deles.

Bom, a experiência do look inspirado foi tão legal que acho que vou fazer isso mais vezes. E vocês? Que referências andam usando pra se inspirar? 







17/09/2017

Sem risco de extinção







Tempos atrás, fiquei amiga de uma menina que me impressionava muito: quando ela se interessava por alguém, ela chegava e falava na lata. Sem meias palavras, sem indiretas ambíguas, sem mensagens subliminares. Ela deixava claro. Se a pessoa correspondesse, ótimo. Se não, ela partia pra outra. Simples assim. Lembrei disso esses dias porque vi um vídeo da Ellora Haonne (vejam!) em que ela fala algo parecido. Diz ela no vídeo que já chega com um "vamo se beijar?" e, se a pessoa não quiser, ela parte pra outra. Mais uma vez: simples assim.

Essa minha amiga acompanhou a época em que eu me interessei por um menino, mas passei meses sem coragem de tomar qualquer atitude. Os amigos em comum diziam que ele parecia ter interesse. Mas eu não descobri se era verdade ou não, porque não fiz nada. Perdi o timing. Perdi a oportunidade. Na época, o meu medo de ser rejeitada era tão grande que eu preferia ficar sem descobrir o que poderia ter sido. A rejeição - pra mim - seria catastrófica. Seria um meteoro pronto pra dizimar qualquer resquício da minha autoestima. Seria assinar o meu atestado de ser humano fracassado na vida.

É engraçado que esses dias eu tenha visto o vídeo da Ellora e tenha me identificado tanto. Parece que virei outra pessoa. Virei, também, essa pessoa que joga logo um "vamo se beijar?" e, se o outro não corresponder, parto pra outra. Falei sobre essa coragem num texto recentemente, mas me parece tão importante que falo de novo. Acho que isso vem do amor próprio. Vem do amor próprio você entender que a recusa de alguém não diz absolutamente nada sobre quem você é ou deixa de ser. Vem do amor próprio você aceitar que uma pessoa não goste de você sem que isso signifique automaticamente o seu fracasso. Vem do amor próprio você respeitar o seu desejo o suficiente pra dar a ele a chance de se concretizar (ao invés de se desperdiçar, como o meu se desperdiçou outras vezes antes). Vem do amor próprio, inclusive, o partir pra outra. Que às vezes é difícil, mas também necessário.

Vendo o vídeo da Ellora e lembrando dos meus pânicos antigos, eu fico pensando que não foi fácil me tornar a mulher que eu me tornei. Eu atravessei muitos infernos pra me tornar a mulher que eu me tornei. Exigiu coragem e dor e uma força que a gente tira do útero - porque não existe nenhum lugar com mais força que um útero. Mas acho que aconteceu. Acho que tenho algum orgulho de ter construído uma relação comigo mesma que não se deixa dizimar por qualquer meteoro. Existe algo de muito poderoso em confiar na própria capacidade de sobreviver aos meteoros.





13/09/2017

Bienal do Livro: saldo e impressões







De 2 em 2 anos, o ritual é o mesmo: penso em não ir, penso que os preços são altos, penso que as filas são imensas, acabo indo, acabo reclamando, acabo voltando com livros e pensando que vou sentir saudades. Não tem muito jeito. Eu confesso: amo a bienal. Talvez seja essa ideia de um galpão gigantesco cheio de livros, cheio de gente falando de livros, trocando livros, lançando livros, amando livros. Apesar dos preços altos e das filas e da confusão, eu não resisto.

Dessa vez, foi a mesma coisa. Fui em 2 dias: no feriado e no último dia - também conhecidos como os-piores-dias-possíveis-pra-ir-a-Bienal. No feriado, acabei comprando 3 livros na Companhia das Letras: "Juntando os pedaços" (Jennifer Niven), "Nem vem" (Lydia Davis) e "Depois a louca sou eu" (Tati Bernardi). Já no segundo, comprei - finalmente - "Os homens explicam tudo pra mim" (Rebecca Solnit) e a HQ "O enterro das minhas ex", que eu descobri lá e me apaixonei de cara.






Acho que, até hoje, nunca saí da Bienal com títulos tão diversificados quanto dessa vez. Tem juvenil, HQ, ensaio... Tem até a Tati Bernardi, com quem eu sempre tive um pé atrás literário, mas resolvi comprar porque esse fala de ansiedade e a primeira página me pareceu promissora. Enfim, são leituras que combinam bem com o meu momento atual (embora esse ano eu esteja lendo pouquíssimo).









Das palestras, só consegui ver uma, com a Fernanda Young e mais 4 mulheres que eu não conhecia falando sobre feminismo. Discordei de 60% do que foi dito, mas... Valeu pela Fernanda que eu ainda assim admiro, concordando ou não.


De resto, meu resumo pra esse ano fica algo parecido com isso:

- Rocco e Record: os estandes mais lindos pra quem é fã de Harry Potter e Star Wars (infelizmente, as filas estavam grandes pra tirar foto e eu deixei pra lá)

- Comidas muito caras (eu ainda nem acredito que paguei 15 reais em uma FATIA de pizza. Nota mental: levar comida sempre.)

- Em alguns estandes mais desconhecidos, dava pra encontrar vários livros legais a 10 reais, mas tinha que ter paciência pra ficar fuxicando e se enfiando entre as pessoas (porque, claro, esses estavam sempre cheios)

- É bom fazer uma listinha dos livros que você quer encontrar antes de ir, porque na hora é bem fácil se deixar levar e acabar comprando coisas impulsivamente (minha especialidade).

- As editoras grandes quase não dão desconto. Acho que só consegui 1 preço bom na Companhia das Letras. Mas, em geral, achei tudo bem caro.




Enfim, apesar dos pesares, foi bom, Bienal. É sempre bom. E eu já tô animada pra te ver de novo em 2019.






06/09/2017

92% introspectiva (mas 8% blogueirinha)



Imagem encontrada no Pinterest



Recentemente, postei um texto (aqui e no Medium) que alcançou mais de 200 mil visualizações. A princípio, fiquei bastante feliz. Depois, fiquei um pouco incomodada. Não sabia exatamente com o quê. Aí hoje, fazendo um teste de personalidade, descobri o que eu já sabia desde sempre: sou 92% introspectiva. Sendo 92% introspectiva, pode-se dizer que eu vivo mais na minha cabeça do que fora dela. Pode-se dizer que estar sob um holofote me deixa desconfortável. Lembro que uma vez, tempos atrás, eu tinha um evento literário pra ir e não queria, então uma amiga virou pra mim e falou: "amiga, aceita. Escritor é uma figura pública hoje em dia".

É verdade mesmo. Foi-se o tempo que o escritor era aquela figura antissocial, reclusa, que passa os dias conversando com xícaras de café e maços de cigarro, mas se retrai todo diante de qualquer sinal de interação humana. Curiosamente, na verdade, grande parte dos escritores que eu conheço (incluindo eu mesma) se encaixa nesse estereótipo que eu acabei de descrever. Escritores - assim como artistas em geral - são, muitas vezes, pessoas introspectivas, com uma sensibilidade aflorada, excessivamente abertas pro mundo, excessivamente expostas pro mundo, pessoas que estão, ao mesmo tempo, muito dentro da vida e muito fora dela. Os escritores e artistas que conheço, em geral, são pessoas com dificuldade de viver no mundo, sempre um pouco isolados, sempre um pouco distantes.

Toda essa descrição me representa. Mas não posso deixar de lembrar - e concordar - com a frase dita pela minha amiga lá atrás: escritor é uma figura pública; ao menos, se você pretende fazer com que essa escrita chegue a outras pessoas (seja porque você pretende pagar as contas com o dinheiro que a literatura pode te render boa sorte, kirido ou porque você busca o diálogo com os leitores e outros autores). Nesse caso, é, sim, preciso que você esteja presente. Nos eventos literários ou nas redes sociais. É, sim, preciso que você fale. Naquela mesa sobre escrita que te convidaram pra participar ou nas postagens do Facebook. É preciso que você saia um pouco da sua cabeça, interrompa as conversas com o café e não se retraia diante de qualquer sinal de interação humana. É preciso diminuir os 92% de introspecção que o meu teste de personalidade me revelou hoje.

Foram esses 92% que ficaram incomodados com a visibilidade do outro texto (mesmo tendo recebido tantos comentários legais e mensagens lindas que me deixaram bem feliz - obrigada, aliás!). Você pode perguntar: "mas, se você escreve na internet, não é meio óbvio que as pessoas vão ler?" Talvez. Talvez os meus 92% introspectivos escrevam e os meus 8% extrovertidos publiquem. Na verdade, eu escrevo desde que me entendo por gente, e nunca escrevi pensando em ser lida. Escrevi em diários, em cadernos, em agendas, em arquivos do Word que ficaram esquecidos em computadores largados pelo meio do caminho. Escrevi, inclusive, em muitos blogs que eu não divulgava pra ninguém e ainda fazia questão de assinar só "M." pra ninguém saber quem era. Eu escrevo desde que me entendo por gente porque talvez essa seja a minha única forma de tentar entender o mundo e estar nele e lidar com ele. E não enlouquecer (não completamente).

Quem escreve geralmente escreve porque não arranjou uma forma de não escrever. Escreve porque precisa. Escreve porque tenta parar e não consegue. Escreve porque escrever é a única forma de continuar na vida. Mas ser lido já são outros quinhentos, ser lido é um exercício, um desafio. Ser lido é às vezes ser mal interpretado. Ser lido é se sentir exposto. Ser lido é ser arrancado - nem que seja temporariamente - do nosso casulo de introspecção. É difícil. Às vezes, incomoda mesmo. Às vezes, deixa a gente se sentindo nu em uma multidão de gente vestida. Mas os meus 8% insistem, talvez na esperança de mudar um pouco essa porcentagem, então fazer o quê? 








01/09/2017

Look do dia: blazer e all star





Entre os truques de estilo que eu mais uso na hora de me vestir, meus 2 preferidos são certamente o high-low e o all black com um ponto de cor. São combinações fáceis de fazer, mas que sempre rendem looks legais. O all black, na verdade, nem precisa ser necessariamente black. Pode ser um all white também, com um elemento de cor. Uma bolsa vermelha, um blazer azul, um kimono estampado... Também funciona quando você faz um look todo em preto e branco e usa um batonzão vermelho.

Nos últimos meses, no entanto, tendo cabelo colorido, o ponto de cor teve que mudar um pouco. No look de hoje, por exemplo, o blazer que eu coloquei foi num tom de rosa chá bem clarinho, pra não brigar tanto com o meu cabelo azul. Teria dado certo um batom vermelho também, mas acabei indo pro lilás que eu não usava há algum tempo.

Já no high-low entram todas aquelas misturas inusitadas entre elementos que parecem ser de mundos diferentes. Saia lápis (que é um elemento mais arrumado) com tênis (mais informal), salto alto com camiseta ou jeans destroyed... e por aí vai. São elementos opostos que ajudam a quebrar a completa seriedade ou completa informalidade do look. Como eu não sou uma pessoa muito formal (pra não dizer nada formal), eu gosto de quebrar os elementos mais arrumadinhos com algo bem casual. Nesse look, por exemplo, o blazer e a blusa com renda, se fossem usados com um sapato diferente, poderiam render um look mais arrumado, mas aqui foram quebrados pela informalidade do all star.










LOOK:


Blazer: Mais Loany
Calça: Renner
Tênis: All star