12/11/2017

Plus size na Forever 21 do RJ (enfim!)








Eu sempre torci a cara pra Forever 21. Não por algum motivo específico, mas só por saber que, no Brasil, a Forever não tinha coleção plus size - e, sim, eu torço a cara pra toda loja que não reconhece a minha existência. Mas, quando fiquei sabendo que o plus size tinha finalmente chegado à loja do Rio (no shopping Village Mall, porque nas outras parece que ainda não tem), eu tive que ir lá dar uma olhada e resolvi fazer um post aqui contando algumas das minhas impressões.


TAMANHOS

A loja é gigante e as roupas plus size não ficam em um espaço separado, mas espalhadas junto com as outras - o que, por um lado, é bom porque não dá aquela ideia de segmentação e faz a gente se sentir mais uma consumidora entre tantas ao invés de um público especial que precisa de "tamanhos especiais" (expressão terrível, aliás). Mas, por outro lado, também não sei se gostei da coleção estar espalhada porque muitas peças continuavam não tendo o meu tamanho e - pra saber quais numerações eram grandes e quais não eram - só olhando de peça em peça mesmo. Consequentemente, não consegui ver a loja inteira e tenho certeza que devo ter passado batido por várias peças legais simplesmente porque não tinha como ver tudo.

Quanto aos tamanhos em si, eles vão do GG ao 5G, mas são um pouco sem critério. Por exemplo: o biquíni GG tinha ficado quase perfeito em mim, mas eu queria que ele ficasse um tiquinho mais largo, então fui procurar o 2G. Não tinha, então, por via das dúvidas, experimentei o 4G e ele era quase a mesma coisa que o GG, só 1 dedo maior. Ou seja, só experimentando pra saber mesmo.

Também acho chato o fato de só ir até o 5G, já que esse 5G deve corresponder a um tamanho 52, 54, dependendo da peça, e quem veste mais do que isso vai continuar não podendo usar peça nenhuma.



PREÇOS

Os preços também variam muito, algumas peças eu achei caras (tipo algumas blusas que estavam a cento e poucos reais), mas outras achei em conta (por exemplo, o meu biquíni que é bem diferente e custou 79 reais a parte de cima e 69 a parte de baixo). Em geral, me parece um preço semelhante ao de lojas tipo Renner, que não é exatamente barata, mas - garimpando - dá pra fazer uns achados.



PEÇAS FAVORITAS

Como estava conhecendo a loja e a coleção, resolvi fotografar algumas peças pra esse post - algumas experimentei, mas outras não deu tempo (era muita coisa!).



Quimono estampado: 5G, R$99,90



Camisetas estampadas: quase todas na faixa de 40-50 reais



Blusa com decote trançado: 5G, R$53,94 (na verdade, tava na promoção, 
o preço original era R$89,90)



Camiseta 1-800: Ok, esqueci de anotar as infos dessa, 
mas tenho quase certeza que era 4G e R$45,90



Blusinha um tanto escandalosa e polêmica que me fez sentir uma prom queen 
de um filme dos anos 80: 5G, R$139,90



Camiseta Pink Floyd com decote trançado: 4G, R$119,90



Blusa transparente Girl Gang: R$89,90; maiô Surf vibes: R$99,90 (parênteses pra dizer: QUANTO maiô lindo e diferente lá, moda praia está de parabéns); body: R$79,90



Vestido/camisão (?) com decote trançado: R$99,90



Jaqueta jeans escura: 5G, R$179,90



Jaqueta jeans: 5G, R$199,90



Jaqueta rasgada: 4G, R$199,90


Biquíni trevosinho: top 4G - R$79,90; calcinha 4G - R$69,90



Pra quem quiser ter uma noção de como as peças vestem no corpo, é só lembrar que eu visto uns 50-52 - e, na maior parte das peças experimentadas na Forever, usei o tamanho 4G ou 5G (tirando o biquíni GG que vestiu bem também).

Meus pontos altos: a moda praia me deixou realmente impressionada, fiquei apaixonada por esse biquíni e por outros tantos maiôs. Também adorei a variedade de jaquetas jeans. Gostei de muitas peças e achei os preços - em geral - ok.

Meus pontos negativos: se você vai oferecer uma coleção plus size, acho que seria legal colocar manequins gordas também. Pra todo lugar que eu olhava, era só manequim magra. Também não sei se curti as peças misturadas porque acabou ficando mais difícil de achar o que era plus lá dentro, mas curti pela sensação de inclusão. E, bom, claro, tamanho 5G não é suficiente se você quer ser de fato inclusivo.

Resumindo, a Forever 21 está bem longe de ser a solução dos nossos problemas, mas é mais uma opção pra quem procura tendências com tamanhos relativamente (bem relativamente) grandes. Vale dar uma olhada!




01/11/2017

Look do dia: saia nude e colete jeans




Tenho sido uma blogueira um tanto relapsa nesse blog, mas, no sábado passado, fui pro meu segundo Hashtag Bazar e as comprinhas foram tão boas que eu já comecei a montar vários looks. Comentei no Instagram, inclusive, sobre a importância de feiras e eventos plus size como o Hashtag, que fazem a gente se sentir acolhida de uma forma que a gente raramente se sente em outros lugares. 

Pra quem é gorda, já é uma rotina entrar num shopping e saber que, se tem roupa pra você em 1 ou 2 lojas, já é muito. Às vezes, a gente tem que atravessar 2 ou 3 shoppings pra achar uma roupa que caiba (no corpo e no bolso). É simbólico: o que o mundo diz o tempo todo (tanto com a falta de roupa quanto outras tantas faltas de acessibilidade) é que você não deveria existir. Nada foi pensado pra você. Nada foi pensado levando em conta a sua existência. Com sorte, você ganha uma arara lá no fundo da loja apelidada de "tamanhos especiais" pra deixar bem claro que você não está dentro da grade normal.

Enfim, no meio dessa rotina, chegar em uma feira onde você pode simplesmente olhar roupas e gostar delas sem se preocupar se elas vão entrar no seu corpo é significativo. Não só pela possibilidade de compra, mas pela sensação de ter a sua existência reconhecida. A gente sai se sentindo visível.

Ter ido ao Hashtag Bazar - e ter, de quebra, ainda conhecido um monte de gente linda que eu só conhecia pela internet - foi de fato terapêutico. Saí de lá com 6 peças: 2 saias, 1 blusa e 3 sutiãs.  

E algumas peças eu já aproveitei pra montar esse look ousado que me tira bastante da zona de conforto:








Look:

Saia nude: Na Beca
Sutiã tomara que caia: Gordinha dos sonhos
Oxford: Leader
(Colete jeans customizado a partir de uma camisa herdada do meu pai)



Esse look, pra mim, foi um passo pra fora da zona de conforto. Além do sutiã feito de cropped, teve bracinho de fora, perninha de fora e um tomara que caia que - em 27 anos de vida - eu nunca consegui (com os meus peitos tamanho 52) usar. Mas é isso, verão tá chegando e eu torço pra que, junto, chegue a nossa coragem cada vez mais forte pra usar tudo que o mundo disse que a gente não poderia usar.











09/10/2017

Tendência: correntinha de óculos da vovó




Confesso que estou: apaixonada por essa tendência maravilhosa que surgiu recentemente. A correntinha pra segurar os óculos já foi muito usada tempos atrás, e acabou virando essa mania de vó - que entre uma revistinha de palavras cruzadas e uma olhadinha na novela, tirava os óculos e deixava eles penduradinhos pela corrente. 

Talvez seja pela memória afetiva associada (como não gostar de algo que lembra vó, não é mesmo?) ou pelo fato de ser muito prático (principalmente pra quem, como eu, só usa óculos pra longe ou pra perto e tem que ficar tirando e colocando toda hora), mas eu estou realmente adorando o retorno das correntes de óculos.

Agora, é claro, elas voltaram repaginadas, algumas bem exageradas, se afastando um tanto da estética-vovó. Pra inspirar quem também está adorando essa nostalgia, separei alguns modelos que tenho encontrado por aí (lembrando que eu não conheço todas essas lojas, só encontrei pela internet mesmo).



1 - Rita Viana Criações, R$38
2 - Daniele Sobreira Acessórios, R$37,90
3 - Ideias Ponto Com, R$28
4 - Rita Viana Criações, R$40


5 - É tipo Audrey, R$28
6 - Rita Viana Criações, R$45
7 - Rita Viana Criações, R$50
8 - É tipo Audrey, R$24,90


Inclusive, acabei comprando uma na semana passada, lá na É tipo Audrey, e já estou querendo sair com ela pra tudo que é lugar. Por aqui, eu já vi que a correntinha divide opiniões, mas, como eu adoro uma tendência polêmica (alma de aquariana), gostei mais ainda.







05/10/2017

Para os que atravessam um buraco negro por dia (e para os que nos esperam do outro lado)



(Infelizmente, não sei de quem é essa colagem maravilhosa. Se alguém souber, me avisa pra eu dar os créditos.)


Passei o setembro amarelo em branco. Planejando e planejando textos, mas sem conseguir me mexer. Às vezes, acontece. Não consigo me mexer. Especialmente quando o assunto é grande, é pesado, quando o assunto mora dentro da gente e é difícil encostar nele sem sentir algum incômodo. Como dizer? Como dar aos outros a dimensão do buraco negro atravessado todos os dias para conseguir chegar ao mundo e estar no mundo como pessoas relativamente funcionais? Como sentir que estamos falando sem que essa fala acorde em mais alguém aquilo que a gente tenta fazer dormir dentro da gente - e nem sempre consegue?

Lembro que, aos 14 anos, uma professora minha me deu o apelido de "hiperbólica". Eu era uma hipérbole ambulante. Tudo em mim era demais. Um exagero, uma desmedida. Nessa época, eu já estava frequentando a minha segunda psicanalista. Depois, vieram outras. E outros terapeutas de outras linhas. E alguns diagnósticos. Segundo eles, eu era borderline ou histriônica ou depressiva ou sociofóbica ou tinha transtorno de humor. Todos me enquadravam em algum quadro e eu continuava me sentindo uma equação mal resolvida, que alguém preencheu com números aleatórios, mas basta um segundo olhar pra ver que não fecham. Todos me enquadravam em algum quadro e o meu desconforto com a vida continuava, firme e forte, intocável.

Ao longo dos anos, tomei um ou outro remédio, encontrei melhoras e pioras, fui acumulando uma lista de recursos pra administrar as crises. Embora nem sempre elas sejam domesticáveis. Algumas, quando chegam, derrubam quase todas as minhas convicções, arrastam quase todos os afetos, desmoronam a minha pretensão de estar no controle do meu próprio estado emocional. Nessas horas, não tem muito o que fazer, exceto esperar - e torcer pra que, quando ela passe, eu ainda consiga ficar em pé.

Agora, no setembro amarelo, ouvi muitas vezes a palavra "empatia". Está na moda parecer empático. Do fundo da minha imobilidade, ouvi cada pronúncia da palavra "empatia" como uma fisgada, sendo remetida a todos esses anos de vivência com uma saúde mental, no mínimo, fragilizada. Ouvi cada pronúncia da palavra "empatia" pensando em todos os amigos que perdi, ao longo do tempo, porque fui considerada uma pessoa difícil ou complicada, porque era "sensível demais", porque me doía por pouco, porque não era otimista o bastante, good vibes o bastante, cheia de energia positiva o bastante. Ouvi essa "empatia" repetida à exaustão lembrando das vezes em que parei de ser chamada pra situações sociais por ser considerada muito furona, sem que ninguém tenha me perguntado por que, afinal, eu furava tanto, por que, afinal, era tão difícil eu ir, por que, afinal, eu raramente aparecia. Se tem uma coisa que eu percebi nesses mais de 10 anos lidando com as crises, é que as pessoas esquecem rápido quem não aparece. Enquanto a gente se entrega progressivamente ao ostracismo e se sente prestes a desaparecer.

Falei sobre isso uma vez no Facebook e repito agora: recebi muito mais doses da fatídica "empatia" quando meu pai morreu do que nas minhas crises sérias de depressão. Também vi outros recebendo doses fortes quando perdiam um emprego ou terminavam um namoro. As pessoas reconhecem a tristeza do mundo cotidiano, a tristeza dos fatos, é na tristeza inominável que elas parecem não saber como encostar. É o incômodo inominável de não conseguir levantar da cama ou estar com os outros que elas muitas vezes não entendem ou não são capazes de acolher. Afinal, como explicar que a minha vida esteja inteiramente nos eixos e ainda assim eu acorde com um piano sobre o peito e sinta uma vontade incalculável de ir embora desse mundo? Como explicar que, numa súbita crise de ansiedade, tudo me pareça absurdamente ameaçador e eu não consiga fazer movimentos básicos como dar um telefonema ou pegar um ônibus (ainda que eu tenha plena consciência das minhas obrigações diárias)?

A "empatia" repetida levianamente pela internet talvez seja, na verdade, mais uma forma de aplacar a consciência do que, de fato, uma tentativa de enxergar e acolher a dor do outro. Nesses tempos de curtidas e compartilhamentos, pelo contrário, nunca estivemos mais autocentrados e menos dispostos a conceber uma dor que não cabe nos nossos moldes do que uma dor deveria ser. Levantamos a bandeira da empatia quando buscamos a compreensão do outro, mas esquecemos facilmente dela quando dizemos a um amigo com depressão que ele não está tentando o bastante ou quando cobramos do amigo com ansiedade que ele esteja presente, mas fazemos pouco ou nenhum esforço pra entender (e tentar contornar) a limitação dele. Nos últimos anos, consigo lembrar de muitos amigos que fizeram piadas ou críticas ao meu hábito de pegar Uber pra qualquer lugar, mas cabe em uma mão o número de amigos que efetivamente tentaram entender por que os ônibus não me deixam confortável (ou que levaram isso em conta na hora de marcar uma saída comigo, por exemplo).

Nesse setembro amarelo que acabou na semana passada, li um tanto de desmistificações importantes, mas li mais apoios vazios e genéricos que muito provavelmente não se sustentam na prática. Enquanto pensava em escrever algo sobre o assunto (e eu pensei muitas vezes), só o que me vinha à cabeça é: "eu não tenho nada a dizer". E também não tenho como dar a esse texto o sentimento de esperança que eu gostaria de dar. Como falar sobre ter ultrapassado a vontade de morrer se eu continuo não entendendo muito bem o porquê de estar viva? Como dizer "resistam" se eu ainda preciso driblar, constantemente, a minha própria vontade de desistir?

Ainda assim, na minha lista de recursos para administrar uma crise, estão alguns itens que ajudam: 1) já dizia Julie Andrews, lembrar das minhas favorite things é um começo (filhotes de golden retriever, churros de doce de leite e Netflix devem contar como bons motivos pra viver). 2) conversar com quem também se dói pode não resolver, mas ajuda. 3) a falta de um sentido estabelecido pra vida pode render também, ao invés de uma desesperança, uma boa liberdade. Afinal, se nada tem sentido, isso nos dá a liberdade de inventar os nossos próprios sentidos (deliciosamente múltiplos e mutáveis). Essa minha lista, no entanto, eu só pude formular ao longo de 10 anos de crises e sobrevidas. Foi preciso encarar o fim do mundo muitas vezes e retornar, sempre sentindo que uma parte minha tinha morrido no processo, mas também sentindo que o retorno me deixava um tantinho mais forte. A gente volta meio fênix, e, depois de um tempo, começa a acreditar mais na própria capacidade de resistir aos fins do mundo.

O mundo vai acabar de novo pra mim, muitas vezes ainda, provavelmente. Mas talvez falar sobre isso já seja algum avanço. Entre vidas instagramadas e a chuva de discursos good vibes, é bom saber que tem gente que está no mesmo barco. Esse barco furado, chacoalhante, frequentemente enfrentando tempestades e que às vezes parece que vai naufragar, mas que - apesar dos pesares - segue resistindo, apostando num amanhã menos conturbado.






21/09/2017

Look do dia - Inspiração: Guid Meinelecki






Não sei se vocês conhecem a Guid do blog Não repete, mas, se não conhecem, sugiro que conheçam. Além de falar sobre moda e montar uns looks bem originais, ela tem o cabelo mais maravilhoso dessa internet - e, de quebra, é uma fofa. Faz algum tempo que eu acompanho ela nas redes e adoro os looks que ela monta com inspiração em alguma foto. Sabe aqueles looks de Pinterest que a gente acha maravilhosos? Então, ela monta looks inspirados neles.

Em um desses posts, lembro de ver a Guid falando que adoraria se alguém montasse um look inspirado em um look dela. Pensei que seria um desafio interessante, já que ela é magra e alta e eu sou gorda e relativamente baixa (1,65cm mais especificamente). Como eu adoro o estilo dela, também não foi difícil achar um look que eu adorasse. A parte difícil foi achar algo que eu pudesse reproduzir com peças que eu já tinha aqui em casa (sendo bem sincera, não ando muito feliz com o meu guarda-roupa).

Enfim, na hora de escolher, eu lembrei que tinha visto esse look dela tempos atrás e tinha achado sensacional o uso criativo do cachecol junto com o cinto. Então, resolvi fazer a minha versão. Podia ter feito com a bota preta, mas decidi usar no meu um tênis branco. O lenço que eu usei também não era tão grande, então o efeito não ficou exatamente igual, mas eu gostei.







Ia colocar as informações do look, mas eu não faço ideia de onde comprei nenhuma das peças, hahaha. São todas antigas e encontradas no fundo do armário mesmo. Tirando a bolsa que é da maravilhosa Cys Souza Artes.

Acho que o mais legal desse desafio - além de fazer a gente a renovar o nosso olhar em relação às peças que a gente já tem e se acostumou a usar de um jeito só - foi também perceber que um look pode dar perfeitamente certo em vários corpos diferentes. A moda, na verdade, pode ser muito mais divertida se a gente se despir desses podes e não podes, se a gente assumir diante dela uma postura de experimentação, de quem quer se divertir e tentar coisas novas e descobrir novas possibilidades de se expressar através do estilo. E é isso mesmo o que eu gosto na Guid: ela efetivamente parece se divertir criando looks e se expressando através deles.

Bom, a experiência do look inspirado foi tão legal que acho que vou fazer isso mais vezes. E vocês? Que referências andam usando pra se inspirar? 







17/09/2017

Sem risco de extinção







Tempos atrás, fiquei amiga de uma menina que me impressionava muito: quando ela se interessava por alguém, ela chegava e falava na lata. Sem meias palavras, sem indiretas ambíguas, sem mensagens subliminares. Ela deixava claro. Se a pessoa correspondesse, ótimo. Se não, ela partia pra outra. Simples assim. Lembrei disso esses dias porque vi um vídeo da Ellora Haonne (vejam!) em que ela fala algo parecido. Diz ela no vídeo que já chega com um "vamo se beijar?" e, se a pessoa não quiser, ela parte pra outra. Mais uma vez: simples assim.

Essa minha amiga acompanhou a época em que eu me interessei por um menino, mas passei meses sem coragem de tomar qualquer atitude. Os amigos em comum diziam que ele parecia ter interesse. Mas eu não descobri se era verdade ou não, porque não fiz nada. Perdi o timing. Perdi a oportunidade. Na época, o meu medo de ser rejeitada era tão grande que eu preferia ficar sem descobrir o que poderia ter sido. A rejeição - pra mim - seria catastrófica. Seria um meteoro pronto pra dizimar qualquer resquício da minha autoestima. Seria assinar o meu atestado de ser humano fracassado na vida.

É engraçado que esses dias eu tenha visto o vídeo da Ellora e tenha me identificado tanto. Parece que virei outra pessoa. Virei, também, essa pessoa que joga logo um "vamo se beijar?" e, se o outro não corresponder, parto pra outra. Falei sobre essa coragem num texto recentemente, mas me parece tão importante que falo de novo. Acho que isso vem do amor próprio. Vem do amor próprio você entender que a recusa de alguém não diz absolutamente nada sobre quem você é ou deixa de ser. Vem do amor próprio você aceitar que uma pessoa não goste de você sem que isso signifique automaticamente o seu fracasso. Vem do amor próprio você respeitar o seu desejo o suficiente pra dar a ele a chance de se concretizar (ao invés de se desperdiçar, como o meu se desperdiçou outras vezes antes). Vem do amor próprio, inclusive, o partir pra outra. Que às vezes é difícil, mas também necessário.

Vendo o vídeo da Ellora e lembrando dos meus pânicos antigos, eu fico pensando que não foi fácil me tornar a mulher que eu me tornei. Eu atravessei muitos infernos pra me tornar a mulher que eu me tornei. Exigiu coragem e dor e uma força que a gente tira do útero - porque não existe nenhum lugar com mais força que um útero. Mas acho que aconteceu. Acho que tenho algum orgulho de ter construído uma relação comigo mesma que não se deixa dizimar por qualquer meteoro. Existe algo de muito poderoso em confiar na própria capacidade de sobreviver aos meteoros.





13/09/2017

Bienal do Livro: saldo e impressões







De 2 em 2 anos, o ritual é o mesmo: penso em não ir, penso que os preços são altos, penso que as filas são imensas, acabo indo, acabo reclamando, acabo voltando com livros e pensando que vou sentir saudades. Não tem muito jeito. Eu confesso: amo a bienal. Talvez seja essa ideia de um galpão gigantesco cheio de livros, cheio de gente falando de livros, trocando livros, lançando livros, amando livros. Apesar dos preços altos e das filas e da confusão, eu não resisto.

Dessa vez, foi a mesma coisa. Fui em 2 dias: no feriado e no último dia - também conhecidos como os-piores-dias-possíveis-pra-ir-a-Bienal. No feriado, acabei comprando 3 livros na Companhia das Letras: "Juntando os pedaços" (Jennifer Niven), "Nem vem" (Lydia Davis) e "Depois a louca sou eu" (Tati Bernardi). Já no segundo, comprei - finalmente - "Os homens explicam tudo pra mim" (Rebecca Solnit) e a HQ "O enterro das minhas ex", que eu descobri lá e me apaixonei de cara.






Acho que, até hoje, nunca saí da Bienal com títulos tão diversificados quanto dessa vez. Tem juvenil, HQ, ensaio... Tem até a Tati Bernardi, com quem eu sempre tive um pé atrás literário, mas resolvi comprar porque esse fala de ansiedade e a primeira página me pareceu promissora. Enfim, são leituras que combinam bem com o meu momento atual (embora esse ano eu esteja lendo pouquíssimo).









Das palestras, só consegui ver uma, com a Fernanda Young e mais 4 mulheres que eu não conhecia falando sobre feminismo. Discordei de 60% do que foi dito, mas... Valeu pela Fernanda que eu ainda assim admiro, concordando ou não.


De resto, meu resumo pra esse ano fica algo parecido com isso:

- Rocco e Record: os estandes mais lindos pra quem é fã de Harry Potter e Star Wars (infelizmente, as filas estavam grandes pra tirar foto e eu deixei pra lá)

- Comidas muito caras (eu ainda nem acredito que paguei 15 reais em uma FATIA de pizza. Nota mental: levar comida sempre.)

- Em alguns estandes mais desconhecidos, dava pra encontrar vários livros legais a 10 reais, mas tinha que ter paciência pra ficar fuxicando e se enfiando entre as pessoas (porque, claro, esses estavam sempre cheios)

- É bom fazer uma listinha dos livros que você quer encontrar antes de ir, porque na hora é bem fácil se deixar levar e acabar comprando coisas impulsivamente (minha especialidade).

- As editoras grandes quase não dão desconto. Acho que só consegui 1 preço bom na Companhia das Letras. Mas, em geral, achei tudo bem caro.




Enfim, apesar dos pesares, foi bom, Bienal. É sempre bom. E eu já tô animada pra te ver de novo em 2019.