21/09/2017

Look do dia - Inspiração: Guid Meinelecki






Não sei se vocês conhecem a Guid do blog Não repete, mas, se não conhecem, sugiro que conheçam. Além de falar sobre moda e montar uns looks bem originais, ela tem o cabelo mais maravilhoso dessa internet - e, de quebra, é uma fofa. Faz algum tempo que eu acompanho ela nas redes e adoro os looks que ela monta com inspiração em alguma foto. Sabe aqueles looks de Pinterest que a gente acha maravilhosos? Então, ela monta looks inspirados neles.

Em um desses posts, lembro de ver a Guid falando que adoraria se alguém montasse um look inspirado em um look dela. Pensei que seria um desafio interessante, já que ela é magra e alta e eu sou gorda e relativamente baixa (1,65cm mais especificamente). Como eu adoro o estilo dela, também não foi difícil achar um look que eu adorasse. A parte difícil foi achar algo que eu pudesse reproduzir com peças que eu já tinha aqui em casa (sendo bem sincera, não ando muito feliz com o meu guarda-roupa).

Enfim, na hora de escolher, eu lembrei que tinha visto esse look dela tempos atrás e tinha achado sensacional o uso criativo do cachecol junto com o cinto. Então, resolvi fazer a minha versão. Podia ter feito com a bota preta, mas decidi usar no meu um tênis branco. O lenço que eu usei também não era tão grande, então o efeito não ficou exatamente igual, mas eu gostei.







Ia colocar as informações do look, mas eu não faço ideia de onde comprei nenhuma das peças, hahaha. São todas antigas e encontradas no fundo do armário mesmo. Tirando a bolsa que é da maravilhosa Cys Souza Artes.

Acho que o mais legal desse desafio - além de fazer a gente a renovar o nosso olhar em relação às peças que a gente já tem e se acostumou a usar de um jeito só - foi também perceber que um look pode dar perfeitamente certo em vários corpos diferentes. A moda, na verdade, pode ser muito mais divertida se a gente se despir desses podes e não podes, se a gente assumir diante dela uma postura de experimentação, de quem quer se divertir e tentar coisas novas e descobrir novas possibilidades de se expressar através do estilo. E é isso mesmo o que eu gosto na Guid: ela efetivamente parece se divertir criando looks e se expressando através deles.

Bom, a experiência do look inspirado foi tão legal que acho que vou fazer isso mais vezes. E vocês? Que referências andam usando pra se inspirar? 







17/09/2017

Sem risco de extinção







Tempos atrás, fiquei amiga de uma menina que me impressionava muito: quando ela se interessava por alguém, ela chegava e falava na lata. Sem meias palavras, sem indiretas ambíguas, sem mensagens subliminares. Ela deixava claro. Se a pessoa correspondesse, ótimo. Se não, ela partia pra outra. Simples assim. Lembrei disso esses dias porque vi um vídeo da Ellora Haonne (vejam!) em que ela fala algo parecido. Diz ela no vídeo que já chega com um "vamo se beijar?" e, se a pessoa não quiser, ela parte pra outra. Mais uma vez: simples assim.

Essa minha amiga acompanhou a época em que eu me interessei por um menino, mas passei meses sem coragem de tomar qualquer atitude. Os amigos em comum diziam que ele parecia ter interesse. Mas eu não descobri se era verdade ou não, porque não fiz nada. Perdi o timing. Perdi a oportunidade. Na época, o meu medo de ser rejeitada era tão grande que eu preferia ficar sem descobrir o que poderia ter sido. A rejeição - pra mim - seria catastrófica. Seria um meteoro pronto pra dizimar qualquer resquício da minha autoestima. Seria assinar o meu atestado de ser humano fracassado na vida.

É engraçado que esses dias eu tenha visto o vídeo da Ellora e tenha me identificado tanto. Parece que virei outra pessoa. Virei, também, essa pessoa que joga logo um "vamo se beijar?" e, se o outro não corresponder, parto pra outra. Falei sobre essa coragem num texto recentemente, mas me parece tão importante que falo de novo. Acho que isso vem do amor próprio. Vem do amor próprio você entender que a recusa de alguém não diz absolutamente nada sobre quem você é ou deixa de ser. Vem do amor próprio você aceitar que uma pessoa não goste de você sem que isso signifique automaticamente o seu fracasso. Vem do amor próprio você respeitar o seu desejo o suficiente pra dar a ele a chance de se concretizar (ao invés de se desperdiçar, como o meu se desperdiçou outras vezes antes). Vem do amor próprio, inclusive, o partir pra outra. Que às vezes é difícil, mas também necessário.

Vendo o vídeo da Ellora e lembrando dos meus pânicos antigos, eu fico pensando que não foi fácil me tornar a mulher que eu me tornei. Eu atravessei muitos infernos pra me tornar a mulher que eu me tornei. Exigiu coragem e dor e uma força que a gente tira do útero - porque não existe nenhum lugar com mais força que um útero. Mas acho que aconteceu. Acho que tenho algum orgulho de ter construído uma relação comigo mesma que não se deixa dizimar por qualquer meteoro. Existe algo de muito poderoso em confiar na própria capacidade de sobreviver aos meteoros.





13/09/2017

Bienal do Livro: saldo e impressões







De 2 em 2 anos, o ritual é o mesmo: penso em não ir, penso que os preços são altos, penso que as filas são imensas, acabo indo, acabo reclamando, acabo voltando com livros e pensando que vou sentir saudades. Não tem muito jeito. Eu confesso: amo a bienal. Talvez seja essa ideia de um galpão gigantesco cheio de livros, cheio de gente falando de livros, trocando livros, lançando livros, amando livros. Apesar dos preços altos e das filas e da confusão, eu não resisto.

Dessa vez, foi a mesma coisa. Fui em 2 dias: no feriado e no último dia - também conhecidos como os-piores-dias-possíveis-pra-ir-a-Bienal. No feriado, acabei comprando 3 livros na Companhia das Letras: "Juntando os pedaços" (Jennifer Niven), "Nem vem" (Lydia Davis) e "Depois a louca sou eu" (Tati Bernardi). Já no segundo, comprei - finalmente - "Os homens explicam tudo pra mim" (Rebecca Solnit) e a HQ "O enterro das minhas ex", que eu descobri lá e me apaixonei de cara.






Acho que, até hoje, nunca saí da Bienal com títulos tão diversificados quanto dessa vez. Tem juvenil, HQ, ensaio... Tem até a Tati Bernardi, com quem eu sempre tive um pé atrás literário, mas resolvi comprar porque esse fala de ansiedade e a primeira página me pareceu promissora. Enfim, são leituras que combinam bem com o meu momento atual (embora esse ano eu esteja lendo pouquíssimo).









Das palestras, só consegui ver uma, com a Fernanda Young e mais 4 mulheres que eu não conhecia falando sobre feminismo. Discordei de 60% do que foi dito, mas... Valeu pela Fernanda que eu ainda assim admiro, concordando ou não.


De resto, meu resumo pra esse ano fica algo parecido com isso:

- Rocco e Record: os estandes mais lindos pra quem é fã de Harry Potter e Star Wars (infelizmente, as filas estavam grandes pra tirar foto e eu deixei pra lá)

- Comidas muito caras (eu ainda nem acredito que paguei 15 reais em uma FATIA de pizza. Nota mental: levar comida sempre.)

- Em alguns estandes mais desconhecidos, dava pra encontrar vários livros legais a 10 reais, mas tinha que ter paciência pra ficar fuxicando e se enfiando entre as pessoas (porque, claro, esses estavam sempre cheios)

- É bom fazer uma listinha dos livros que você quer encontrar antes de ir, porque na hora é bem fácil se deixar levar e acabar comprando coisas impulsivamente (minha especialidade).

- As editoras grandes quase não dão desconto. Acho que só consegui 1 preço bom na Companhia das Letras. Mas, em geral, achei tudo bem caro.




Enfim, apesar dos pesares, foi bom, Bienal. É sempre bom. E eu já tô animada pra te ver de novo em 2019.






06/09/2017

92% introspectiva (mas 8% blogueirinha)



Imagem encontrada no Pinterest



Recentemente, postei um texto (aqui e no Medium) que alcançou mais de 200 mil visualizações. A princípio, fiquei bastante feliz. Depois, fiquei um pouco incomodada. Não sabia exatamente com o quê. Aí hoje, fazendo um teste de personalidade, descobri o que eu já sabia desde sempre: sou 92% introspectiva. Sendo 92% introspectiva, pode-se dizer que eu vivo mais na minha cabeça do que fora dela. Pode-se dizer que estar sob um holofote me deixa desconfortável. Lembro que uma vez, tempos atrás, eu tinha um evento literário pra ir e não queria, então uma amiga virou pra mim e falou: "amiga, aceita. Escritor é uma figura pública hoje em dia".

É verdade mesmo. Foi-se o tempo que o escritor era aquela figura antissocial, reclusa, que passa os dias conversando com xícaras de café e maços de cigarro, mas se retrai todo diante de qualquer sinal de interação humana. Curiosamente, na verdade, grande parte dos escritores que eu conheço (incluindo eu mesma) se encaixa nesse estereótipo que eu acabei de descrever. Escritores - assim como artistas em geral - são, muitas vezes, pessoas introspectivas, com uma sensibilidade aflorada, excessivamente abertas pro mundo, excessivamente expostas pro mundo, pessoas que estão, ao mesmo tempo, muito dentro da vida e muito fora dela. Os escritores e artistas que conheço, em geral, são pessoas com dificuldade de viver no mundo, sempre um pouco isolados, sempre um pouco distantes.

Toda essa descrição me representa. Mas não posso deixar de lembrar - e concordar - com a frase dita pela minha amiga lá atrás: escritor é uma figura pública; ao menos, se você pretende fazer com que essa escrita chegue a outras pessoas (seja porque você pretende pagar as contas com o dinheiro que a literatura pode te render boa sorte, kirido ou porque você busca o diálogo com os leitores e outros autores). Nesse caso, é, sim, preciso que você esteja presente. Nos eventos literários ou nas redes sociais. É, sim, preciso que você fale. Naquela mesa sobre escrita que te convidaram pra participar ou nas postagens do Facebook. É preciso que você saia um pouco da sua cabeça, interrompa as conversas com o café e não se retraia diante de qualquer sinal de interação humana. É preciso diminuir os 92% de introspecção que o meu teste de personalidade me revelou hoje.

Foram esses 92% que ficaram incomodados com a visibilidade do outro texto (mesmo tendo recebido tantos comentários legais e mensagens lindas que me deixaram bem feliz - obrigada, aliás!). Você pode perguntar: "mas, se você escreve na internet, não é meio óbvio que as pessoas vão ler?" Talvez. Talvez os meus 92% introspectivos escrevam e os meus 8% extrovertidos publiquem. Na verdade, eu escrevo desde que me entendo por gente, e nunca escrevi pensando em ser lida. Escrevi em diários, em cadernos, em agendas, em arquivos do Word que ficaram esquecidos em computadores largados pelo meio do caminho. Escrevi, inclusive, em muitos blogs que eu não divulgava pra ninguém e ainda fazia questão de assinar só "M." pra ninguém saber quem era. Eu escrevo desde que me entendo por gente porque talvez essa seja a minha única forma de tentar entender o mundo e estar nele e lidar com ele. E não enlouquecer (não completamente).

Quem escreve geralmente escreve porque não arranjou uma forma de não escrever. Escreve porque precisa. Escreve porque tenta parar e não consegue. Escreve porque escrever é a única forma de continuar na vida. Mas ser lido já são outros quinhentos, ser lido é um exercício, um desafio. Ser lido é às vezes ser mal interpretado. Ser lido é se sentir exposto. Ser lido é ser arrancado - nem que seja temporariamente - do nosso casulo de introspecção. É difícil. Às vezes, incomoda mesmo. Às vezes, deixa a gente se sentindo nu em uma multidão de gente vestida. Mas os meus 8% insistem, talvez na esperança de mudar um pouco essa porcentagem, então fazer o quê? 








01/09/2017

Look do dia: blazer e all star





Entre os truques de estilo que eu mais uso na hora de me vestir, meus 2 preferidos são certamente o high-low e o all black com um ponto de cor. São combinações fáceis de fazer, mas que sempre rendem looks legais. O all black, na verdade, nem precisa ser necessariamente black. Pode ser um all white também, com um elemento de cor. Uma bolsa vermelha, um blazer azul, um kimono estampado... Também funciona quando você faz um look todo em preto e branco e usa um batonzão vermelho.

Nos últimos meses, no entanto, tendo cabelo colorido, o ponto de cor teve que mudar um pouco. No look de hoje, por exemplo, o blazer que eu coloquei foi num tom de rosa chá bem clarinho, pra não brigar tanto com o meu cabelo azul. Teria dado certo um batom vermelho também, mas acabei indo pro lilás que eu não usava há algum tempo.

Já no high-low entram todas aquelas misturas inusitadas entre elementos que parecem ser de mundos diferentes. Saia lápis (que é um elemento mais arrumado) com tênis (mais informal), salto alto com camiseta ou jeans destroyed... e por aí vai. São elementos opostos que ajudam a quebrar a completa seriedade ou completa informalidade do look. Como eu não sou uma pessoa muito formal (pra não dizer nada formal), eu gosto de quebrar os elementos mais arrumadinhos com algo bem casual. Nesse look, por exemplo, o blazer e a blusa com renda, se fossem usados com um sapato diferente, poderiam render um look mais arrumado, mas aqui foram quebrados pela informalidade do all star.










LOOK:


Blazer: Mais Loany
Calça: Renner
Tênis: All star





31/08/2017

Setembro: planejamentos e expectativas




Eu ainda não estou acreditando que estamos entrando em setembro. Deve ter alguma coisa errada. Ontem mesmo era fevereiro e eu tava fazendo aniversário e falando sobre as expectativas pra 2017. Agora, a gente tá aqui. Da próxima vez que eu piscar, acho que vou estar comprando presentes de Natal.

Não sei o porquê, mas 2017 tem passado rápido pra mim. O que me parece um sintoma bom e um sintoma ruim ao mesmo tempo. Bom, porque a gente sabe que o tempo costuma passar rápido quando a gente tá se divertindo, então, se eu estou achando tudo corrido, talvez seja porque eu ando ocupada vivendo, o que é sempre bom mesmo; mas ruim, porque parece que eu não tô nem tendo tempo de assimilar as coisas que acontecem. Não vou entrar numa de fazer retrospectiva de 2017 porque aí mesmo é que eu vou sentir que esse ano já tá terminado, mas o fato é que tem sido um ano de muitos desafios e empreitadas para mim. Poucas vezes, me dediquei tanto às coisas. Poucas vezes, fiz tantos planos e efetivamente me empenhei pra concretizar esses planos.

Isso se deve muito ao bullet journal que mudou completamente a minha forma de lidar com o tempo, com os planejamentos e a organização. Ontem eu cheguei a gravar um vídeo mostrando o meu planejamento pra setembro, mas não deu tempo de editar ainda (por onde anda a vocação pra youtuber? não temos), então vou postar é umas fotos mesmo. Em breve, publico o vídeo do #planwithme e gravo um outro falando mais sobre como, afinal, eu virei aloca-do-bullet-journal!














Como, no mês passado, eu negligenciei um pouco a minha organização financeira e os meus cuidados com a saúde, resolvi separar um espacinho especial pra cada um agora em setembro. Também quero me dedicar mais ao blog e ao - futuro, fingers crossed - canal do Youtube, então também separei uma página pra isso.

E, no fim das contas, isso é que é o mais legal do bullet journal: a gente vai adaptando de acordo com as nossas necessidades, nosso jeitinho e nossas prioridades do momento, de forma que ele fique funcional e ajude a dar aquela motivada na hora de fazer as coisas. Já falei no instagram e repito aqui: eu, por exemplo, odeio régua, tenho algum trauma de infância que me impede de saber usar uma régua com o mínimo de eficiência. Resultado: ao invés de me descabelar tentando fazer as coisas retinhas e iguais ao Pinterest, eu simplesmente abracei o torto e é isso aí. A vida é torta, eu sou torta, aquariana demais pra andar em linha reta, inclusive.

Então, fica a dica pra quem se descabela fazendo bullet journal: que tal parar de tentar copiar o ideal inalcançável da internet e abraçar o seu jeitinho próprio de fazer as coisas? 




29/08/2017

3 poemas pelo dia da visibilidade lésbica





Esses 3 poemas saíram, semana passada, na Mulheres que escrevem - uma iniciativa cuja proposta é divulgar e debater a literatura produzida por mulheres. Pra quem não sabe, hoje, dia 29 de agosto, é comemorado o dia da visibilidade lésbica. Por conta disso, eu usei os stories do instagram pra falar um pouco sobre esse assunto durante todo o mês de agosto - e ainda pretendo falar mais, né, porque todo dia precisa ser dia de visibilidade lésbica.

Então, em homenagem a data, ficam aqui os 3 poemas originalmente publicados na Mulheres que escrevem, com ilustração da Kaethe Butcher.







poucas chances


mesmo que eu soubesse te fazer
esquecer o rosto dele
e lembrar do meu 
mais vezes
muitas vezes
tantas vezes por dia quanto se pode lembrar
do rosto de alguém
em seus mais diferentes ângulos em inusitados ângulos
inéditos ângulos
como o meu rosto por exemplo
entre as suas pernas
como o meu rosto por exemplo a poucos centímetros de distância
do seu
encontrando o seu
lentamente entrando no seu
como entraria a minha mão entre as
dobras do seu pescoço
entre as dobras dos seus joelhos
mesmo que você pudesse imaginar o meu rosto como ficaria
incendiado
se você chegasse mais perto
tão perto que só haveria no mundo
os rostos
de nós duas
e tudo que os rostos de nós duas podem fazer um com o outro
dizer um ao outro
mesmo assim
eu sei
há poucas chances
de entrar em você sem que uma de nós termine o dia
incapaz de encontrar
o caminho
de volta




12 passos entre 2


1) você vai me chamar de amiga sem
pensar você vai lançar essa palavra casualmente 
sobre o meu rosto
uma granada
2) talvez até me conte o que ele fez o que ele disse
você vai me incluir passar a mão no meu cabelo
3) perceber o meu corpo em comparação ao seu
tentar entender como domesticar essa vontade
de observar
4) a minha inegável insistência em te olhar com a respiração
acelerada eu disfarço olho pra outro lado
5) você sabe
6) você sempre soube
7) você queria não saber
8) mas depois que se diz não se pode desdizer não se pode
desver o que foi subitamente visto um elástico nunca mais é o mesmo
depois que a gente estica
9) uma mulher nunca mais é a mesma depois que
enfia os dedos no medo de hospedar
o próprio desejo
10) você vai me chamar de amiga talvez sabendo que eu
não sou sua amiga
talvez sabendo que eu não estou no lugar onde você
me coloca
11) mas você me coloca
12) porque afinal você não saberia nem por onde começar
a ser desejada
por mim




metamorfose


desde que ela encostou em mim acho que
venho derretendo
primeiro perdi o contorno das pernas
depois o contorno dos braços
quando um dia ela se debruçou sobre mim e um cacho
de cabelo escorregou pela minha bochecha
eu percebi que também tinha ido embora
a solidez do meu rosto
agora tudo me atravessa com mais facilidade
agora meu corpo aberto
recebe o corpo dela
como se fosse uma onda encontrando a outra
desde que ela encostou em mim acho que o meu corpo
está mais composto de água que nunca
tudo é úmido
é fresco
é imenso
tudo é estar com a pele molhada sob o sol
um fôlego oceânico de sereias ancestrais
que entendem
alguma coisa
que ninguém mais entendeu
desde que ela encostou em mim




Quem ainda não conhece a Mulheres que escrevem, aproveita para passar lá no Medium e conhecer. O que não falta é literatura produzida por mulheres, então vamos procurar, prestigiar e divulgar?